Clique aqui para voltar á página inicialClique aqui para voltar á página inicialClique aqui para voltar á página inicialClique aqui para voltar á página inicial
Lendo notícia
tamanho NORMAL do texto aumentar amanho do texto (nível 1) aumentar amanho do texto (nível 2)

Desabafo de uma professora


Notícia postada por: Redação - 18-06-2010

 versão para impressão |  RSS





Desabafo
de uma profissional que está lecionando há mais de 22
anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos,
que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais
que ame muito o que faz)


 


Trago comigo muitas
perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante
seja: o que será necessário acontecer para se fazer uma
reforma educacional neste país?



Constantemente, ouço
ou leio reportagens com as autoridades educacionais a proclamarem a
má formação de seus professores, culpando as
universidades, a falta de cursos de formação e
culpando-nos, evidentemente.



Questionamentos:



Como
um professor de escola pública
pode fazer o seu
trabalho se ele precisa ficar constantemente parando
sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que
foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se
trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar
cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?




Nos
cursos de formação nos é passado constantemente
a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas
avaliações de desempenho das escolas, nossos
vestibulares e concursos públicos ainda são
tradicionais e  nos cobram o conteúdo de cada disciplina.




Como
pode num país, .num estado, num município haver regras
tão diferentes entre a rede particular e pública?




Na
rede particular as escolas continuam conteudistas, há a
seriação com reprovação, a escola pode
suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja
respeitando as regras daquela instituição.




A
rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de
acordo com o partido que ganhou as eleições), é
cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer
absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo
coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários
daquela instituição.




Dia
a dia, minuto a minuto, os professores são alvos de agressões
verbais e até mesmo físicas pelos alunos. A cada dia
somos submetidos a níveis de estresse insuportáveis
para um ser humano.




Temos
que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis
pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos
+ enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas +
psiquiatras + mãe + pai...




E,
quando ameaçados de morte, se recorremos a uma delegacia pra
fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai
adiantar nada!”




Meus
bons alunos presenciam o mau aluno fazendo tudo o que não pode
ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo
da impunidade desde a infância...




Meus
bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente
nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e
foi responsável.




Houve
um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou
a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava
empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma
conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me
disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou
passar de ano mesmo assim?”




Então
eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até
hoje) que ele deveria frequentar a escola, não para tirar
notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à
escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem
que ninguém poderá roubar. Que a escola iria ajudá-lo
a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a
ter uma melhor formação na vida.




Depois
dessa conversa ele não faltou mais com tanta freqüência,
mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.




Qual
a motivação de ser bom aluno hoje em dia?




Seus
ídolos são jogadores de futebol que não falam o
português corretamente e que não hesitam em agredir seus
colegas jogadores e até mesmo os árbitros, ensinando
que não é necessário haver respeito às
autoridades e aos outros.




Ou
são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na
televisão e posando nuas para ganhar dinheiro.




 Para
quê eu me matar de estudar se há tantas profissões
que não são valorizadas e nem respeitadas?




Conheci
(e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na
escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos.
Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus
alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento
e formação excelentes, mas que estão desgastados
e quase arrasados diante da atual situação educacional.




Li,
há poucos dias, num artigo que os cursos de filosofia,
matemática, química, biologia e outros todos ligados à
área de Magistério não estão tendo
procura nas universidades.




Lógico!
Quem é que quer ser professor?




Quem é que quer
entrar numa carreira que está sendo extinta, não só
pela total desvalorização e respeito, mas também
pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas?



Fiquei indignada com
uma reportagem na TV (que, aliás, adora fazer reportagens
sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da
história) que relatava o caso de uma escola na qual um aluno
ameaçava os outros com um revólver e, num determinado
momento, o repórter perguntou: “Onde estava o professor que
não viu isso??!!”



E
agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer
ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você
ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria
enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e
os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão
nos ensinando isso.




Vocês
têm conhecimento de como os professores de nosso país
estão adoecendo?




Vocês
sabem o que é enfrentar o estresse que a violência moral
e física tem nos submetido dia a dia?




Você
sabe o que é ouvir de um pai frases assim:




“Meu
filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”




“Eu
não sei mais o que fazer com o meu filho!”




“Você
está passando muita lição para meu filho, e ele
é apenas uma criança!”




“Ele
agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”




“Meu
filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”




Classes
super lotadas, falta de material pedagógico, espaço
físico destruído, violência, desperdício
de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem
e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não
precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por
causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não
por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele
não leva o leite.)




Regras
educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.




Impunidade.




Mas
a educação não vai bem, por causa do professor.




Encerro esse desabafo
com essa pergunta que li há poucos dias:


Essa pergunta foi a
vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

“Todo
mundo  'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos 
filhos...  Quando é que ‘pensarão’ em deixar
filhos melhores para o nosso planeta?”





O BOM
NESTE PAÍS É SER POLÍTICO. APOSENTA-SE COM
8 ANOS DE "TRABALHO(?)", E QUE SALÁRIO!!! (sem
contar que não precisa de grande formação
acadêmica pra isto, infelizmente...)







 versão para impressão | comentar Comentar esta matéria |  RSS

 visualizar comentários feitos a essa matéria




  + Ver mais notícias

seções Boletim bimestral
Leia a Edição 60 do Boletim APAMPESP

XHTML validado pela W3C Estilização baseada 100% em CSS Acessibilidade Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Site desenvolvido por: FatorClick - Soluções Inteligentes